PROCESSO / ANHEMBI - FERNANDO VELÁZQUEZ




FERNANDO VELÁZQUEZ, ASTERÓIDE 01, 2019, 0’47’’, VÍDEO  

No começo não havia nada. Uma grande explosão. Partículas em trânsito. Matéria escura, nebulosas, galáxias, ondas gravitacionais, estrelas, planetas, púlsares, quásares, órbitas, células, satélites. Asteroide é uma performance audiovisual que explora a gravidade como potência de mundo. Este vídeo generativo explora erros de programação. Um algoritmo foi desenhado para gerar partículas, e logo, eliminar parte da informação de cada frame comprimindo-os aleatoriamente.





FERNANDO VELÁZQUEZ, ASTERÓIDE 02, 2019, 1’26’’, VÍDEO   

No começo não havia nada. Uma grande explosão. Partículas em trânsito. Matéria escura, nebulosas, galáxias, ondas gravitacionais, estrelas, planetas, púlsares, quásares, órbitas, células, satélites. Asteroide é uma performance audiovisual que explora a gravidade como potência de mundo. Este vídeo generativo explora erros de programação. Um algoritmo foi desenhado para gerar partículas, e logo, eliminar parte da informação de cada frame comprimindo-os aleatoriamente.




FERNANDO VELÁZQUEZ, AUTO-RETRATO, 2010, 3’27’’, VÍDEO  



FERNANDO VELÁZQUEZ, NATURA INSTABLE DESIRABLY OBSCURA, 2018, SITE SPECIFIC / NIDO FESTIVAL DE ARTES VIVAS, RIVERA, URUGUAI

Natura Instable Desirably Obscura

"Natura..", é um mixto de site-specific, instalação e performance. A obra foi comissionada como fechamento do Festival de Artes Vivas Nido (Ninho) acontecido em Rivera, Uruguai em novembro de 2018. Foi proposta após 10 dias de convivência no espaço junto aos 80 participantes.

A obra consistiu num convite a uma caminhada noturna numa floresta próxima aos alojamentos respeitando as seguintes instruções:
- caminhar em silencio
- caminhar com os sentidos despertos e atentos
- ao adentrar a floresta pedir licença as entidades que a habitam
- lembrar uma pessoa querida que já se foi, dizer a ela algo que gostaríamos de ter dito em vida, mas não conseguimos.
- fique o tempo que considere necessário

O acesso á floresta se deu no absoluto breu. Após 5 minutos de obscuridão total, uma pequena área da floresta foi iluminada esporadicamente por 16 lâmpadas afixadas em árvores e arbustos e controladas por um algoritmo digital. O piscar das luzes foi o protocolo de comunicação entre a esfera material e a espiritual.

A utilização de palavras em espanhol, inglês e latim para nomear a obra persegue a idea de que para além dos artifícios da linguagem a realidade é um fluxo continuo de tempo e espaço.




FERNANDO VELÁZQUEZ, MIRAGEM, 2018, SITE SPECIFIC / SP URBAN, PRAÇA DO POR DO SOL, SÃO PAULO, BRASIL

Miragem
Dicionário
substantivo feminino

_efeito óptico que ocorre nas horas mais quentes, esp. nos desertos, produzido pela reflexão da luz solar, que cria uma imagem semelhante a um lago azul, onde por vezes se refletem imagens.
_aquilo que se apresenta como algo muito bom, mas que não é verdadeiro; falsa realidade, ilusão, quimera, sonho. (metáfora)

Miragem ou espelhismo é um fenômeno óptico muito comum em dias ensolarados, especialmente sobre rodovias, em paisagens desérticas, ou também em alto-mar. Trata-se de uma imagem causada pelo desvio da luz refletida pelo objeto, ou seja, é um fenômeno físico real (ilusão de óptica) e não deve ser confundida com uma alucinação. Miragem pode ocorrer em diferentes condições, causando vários tipos de imagem do objeto. A luz solar, em direção ao asfalto, sofre refração devido ao gradiente de temperatura das camadas de ar a medida em que se aproxima do asfalto. Essa refração desvia a direção de propagação da luz, e por final, ela reflete-se (reflexão total) nas camadas de ar próximas ao solo, fazendo com que a luz agora se distancie dele. Desta forma, tem-se a ilusão que a superfície do solo está espelhada (poça de água aparente). O fenômeno também é observado quando o solo está muito frio, neste caso as imagens refletidas no ar são invertidas.

Miragem é apenas um dos muitos fenômenos ópticos que podemos observar no céu. Efeitos como arco-íris, halo, iridescência, coroa solar, nuvens noctilúcias, dentre outros, também podem ser confundidos com ilusões de óptica, mas são fenômenos reais envolvendo a propagação da luz na atmosfera, além de serem muito agradáveis de se ver.

Existem vários tipos de miragem, com diferentes processos de formação. Basicamente, a miragem é dividida em dois grandes grupos: miragem inferior e superior. A primeira é a miragem de deserto e rodovias, em dias quentes, e a segunda é mais comum em regiões polares e menos comum do que a primeira.

A praça do Pôr do Sol
_é um lugar escondido, fica numa área a contramão da cena cultural da cidade, de difícil acesso via transporte público, é bairro, embora muitos se desloquem até ela
_é mítica, muitos ouviram falar dela, porém nunca a visitaram
_é um lugar da cidade de São Paulo que propõe uma relação particular com o horizonte, com o pôr do sol no horizonte urbano.
_é um espaço de celebração, compartilhamento e rituais individuais e coletivos. as vezes, alguns, aplaudem ao sol se por, por vezes muitos, agradecem em silêncio por mais um dia
_é natureza híbrida, pássaros, bichos, pessoas a coabitam em sinergia
_é rota de veículos aéreos que transportam pessoas de todos os lugares do pais
_é ponto de encontro, é espera, é limbo, é futuro, é ponto de espera dos entregadores de comida delivery que prestam serviços para aplicativos
_é um lugar que me lembra o Arpoador, Arpoador é Rio, Pça do Pôr do Sol é SP, faz sentido?
_a Pça do Por do Sol é uma Miragem na cidade dos prédios, ao estarmos nela, por cumplicidade o por inércia, somos Miragens humanas.




FERNANDO VELÁZQUEZ, ICEBERG, 2018, 11 X 8 X 5 M, INSTALAÇÃO INTERATIVA / PROJETO ESTUFA, SÃO PAULO, BRASIL




FERNANDO VELÁZQUEZ, ICEBERG, 2018, 8 X 16 X 8 M, INSTALAÇÃO INTERATIVA / EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL, ZIPPER GALERIA, SÃO PAULO, BRASIL

Iceberg


A licença poética opera um hiato, um curto-circuito  - um agente provocador - na atrofia de uma situação que se encontra em estado de crise ou letargia política, social, confessional, étnica, econômica ou militar. Através da natureza absurda e por vezes impertinente do ato poético, a arte provoca um momento suspensão do significado, uma sensação de insensatez que pode revelar o absurdo da situação. Através desse ato de transgressão, o ato poético sinaliza uma passo atrás ante as circunstâncias. Em resumo, pode fazer com que vejamos as coisas de maneira diferente. Francis Alys



Um iceberg é um bloco de gelo que, após se desprender de uma geleira, vagueia pelos oceanos e mares até desaparecer. Ilhas, por vezes continentes à deriva, os icebergs são fascinantes, frágeis e poderosos, belos e assustadores. Efêmeros, materializam elegantemente a natureza em processo.

São inúmeros os pensamentos que a figura do iceberg dispara em mim, mas o que mais desperta a minha curiosidade e imaginação é o fato de que a maior parte de um iceberg fica oculta, latente, intuída, a priori invisível aos nossos olhos. Esta característica me levou a pensar uma série de alegorias – como por exemplo, a de que o inconsciente seria a parte invisível de um iceberg chamado consciência. Sabemos que os sentidos aferem um recorte limitado de informações sobre o ambiente. Necessariamente o campo do que conhecemos será sempre menor do que o campo que seria possível conhecer. Assim, aguçar o faro à procura do lado oculto de coisas e fenômenos seria uma estratégia substancial para a nossa sobrevivência e expansão.

É com base em pressupostos como o mencionado anteriormente que nesta nova série de trabalhos me disponho a refletir seredipticamente sobre o tempo histórico em que vivemos, época pautada pelo embate crítico do homem com a tecnologia. A narrativa não linear proposta pelo conjunto de obras sugere um iceberg que contrapõe a "inteligência natural" desenvolvida pelo Sapiens durante milênios à inteligência artificial sintética, exponencial e singular dos computadores atuais.

O processo de pesquisa orgânico, intuitivo e antropofágico fez com que se estabelecessem diálogos com minha produção anterior. É possível reconhecer ideias, conceitos, citações e reconfigurações de obras das séries in between, Mindscapes e Reconhecimento de Padrões.

coda:

Os seres humanos somos basicamente água, e, como icebergs, nos desprendemos da nossa matriz para esquivar os atritos da vida até o nosso corpo sucumbir.

Nunca vi um iceberg, embora seja um.

Fernando Velázquez





FERNANDO VELÁZQUEZ, MULTIVERSO, 2018 - ON GOING, VÍDEO 

"Multiverso, after David Hockney" é um projeto em andamento que consiste em fazer planos fixos de 10' num determinado local escolhidos em caminhadas que faço pelas cidades que visito a trabalho. Hoje o filme inclui 27 cidades e estará terminado ao completar 60.

As tomas iniciais de 10' são editadas de forma a sobrepor diferentes períodos de tempo no mesmo quadro em sequencias de 1 minuto de duração por cidade. Assim, diversos tempos convivem harmonicamente no quadro, mas ao mesmo tempo, o conjunto gera uma narrativa fragmentada na qual objetos e pessoas emergem e desaparecem inesperadamente.

As cidades já visitadas são: Montevideo (Uruguay), Miami (EUA), Porto (Portugal), Toledo (España), Austin (EUA), Barcelona (España), Chicago (EUA), Linz (Austria), Los Angeles (EUA), Kassel (Alemanha), Venezia (Italia), Nazaré (Portugal), Madrid (España), Karlsruhe (Alemanha), Girona (España), Lisboa (Portugal), Estrasburgo (França), Coimbra (Portugal), Paris (Francia), São Francisco (EUA), Lagos (Nigéria), Bogotá (Colômbia) e São Paulo, Rio de Janeiro, San José do Rio Preto, Salvador, Florianópolis no Brasil.





FERNANDO VELÁZQUEZ, DA SÉRIE MINDSCAPES, AFTER DAN FLAVIN, 2014, INSTALAÇÃO // EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL, ZIPPER GALERIA, SÃO PAULO, BRASIL 

Instalação multimídia . 201416 barras de neon, 16 transformadores, interface dmx, computador, interface de áudio, 4 alto-falantes, algoritmo computacional.

Vista na montagem na exposição realizada na Galeria Zipper, 2014

Na instalação, um algoritmo de realidade artificial do tipo game of life ativa seqüências luminosas e sonoras em 3 movimentos de variações infinitas. Durante o percurso, um discurso absurdo é gerado em tempo real a partir de palavras soltas nas vozes de Antonio Damasio, Caetano Veloso, Edgar Morin, Gilberto Gil, Gilles Deleuze, Hannah Arendt, Ingmar Bergman, Jean Baudrillard, Jacques Rancière, Jean-Paul Sartre, John Dewey, Milton Santos, Noam Chomsky, Oliver Sacks, Paul Virilio.





FERNANDO VELÁZQUEZ, RECONHECIMENTO DE PADRÕES, 2014, INSTALAÇÃO INTERATIVA // FOTO: F.V - EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL, MAC GOIÁS, GOIÂNIA, BRASIL 

12 monitores de 32'’, 6 computadores, algoritmo customizado, som, sensor kinect

texto por Lucas Bambozzi (excerpto)

Agora a paisagem me conduz

Difícil imaginar uma paisagem que nos percebe. Difícil resumir qual paisagem habita nossa memória. Difícil encontrar arquétipos tão dissociados de nossa experiência. Difícil ir além do imaginário estandardizado por um cinema pré-formatado por mais de um século. Reconhecimento de padrões, a nova instalação de Fernando Velazquez nos facilita escapar dessas limitações. Em doze cenas que tomam nosso campo de visão, temos uma experiência de imersão, de sequestro dos sentidos. As imagens, em sincronismo oscilante, são captadas por um drone, que estende nosso olhar por ângulos sedutores em uma floresta. São vistas de uma máquina, mas que se anexam à nossa. Ao nos aproximarmos das telas, um sistema de blob detection percebe nossa proximidade, comentando a relação (termo preferível a interação) que ali se estabelece com sobreposições de imagens e impecável elaboração sonora de Francisco Lapetina. As imagens da floresta, de perto revelam uma mata intrincada, de longe formam padrões, em um conjunto sincrônico de vistas de cima, para os lados, para cima e para baixo. Há diferença e erro nessa repetição. Seria uma possível reconciliação entre natureza e máquina. Mas o que vemos é um sistema de visão. Temos um enigma, que não precisa ser decifrado, mas percebido, observado.

O trabalho, por mais que evidencie a natureza, faz emergir novas questões em torno das tecnologias da imagem. A cinemática do sistema envolve elementos que fazem vir e voltar nosso fascínio e incômodo por próteses auxiliares do olhar. Poderia ter sido sugestivo a teorias de um Paul Virilio, por exemplo, em momento ainda empático às tecnologias de visão, para descrever o estado maquínico de nossa sociedade.





FERNANDO VELÁZQUEZ, YOUR LIFE, OUR MOVIE, 2008, INSTALAÇÃO INTERATIVA
BIENAL DO MERCOSUL 2009, PORTO ALEGRE, BRASIL 
PRÊMIO 2008 CULTURAS, MADRID, ESPANHA, 2008

3 computadores, 3 projetores, conexão a internet, alto-falantes, software personalizado
Prêmio “2008 Culturas”, Madri, Espanha, 2008

Your life, our movie é uma instalação interativa que utiliza a base de dados do site flickr.com para realizar um filme interativo, coletivo, e em tempo real. Os visitantes são convidados a digitar palavras que disparam em tempo real um script on-line que busca imagens na base de dados do site e compõe loops de vídeo. O algoritmo está programado para fazer a sua própria busca e darcontinuidade ao filme caso não haja interatores.